Coordenar

Dom José Alberto Moura
Arcebispo de Montes Claros

O poder e o serviço de coordenação têm dentro de si o potencial de arte e missão. Exercidos para o proveito pessoal, em detrimento de sua razão de ser em servir a comunidade, com verdadeiro ideal de ser-lhe útil, tornam-se exercício perigoso de comando arrasador e de desproveito ao bem comum.

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Professar a fé

Dom Alberto Taveira Corrêa
Arcebispo Metropolitano de Belém

Para “ilustrar a todos os fiéis a força e a beleza da fé”, a seu tempo o Papa Bento XVI proclamou o Ano da Fé, confirmado pelo atual sucessor de Pedro e Bispo de Roma, o Papa Francisco. Durante todo o ano, somos positivamente provocados a experimentar e testemunhar a fé que recebemos no Batismo. “Professar a fé na Trindade – Pai, Filho e Espírito Santo – equivale a crer num só Deus que é Amor (cf. 1 Jo 4, 8): o Pai, que na plenitude dos tempos enviou seu Filho para a nossa salvação; Jesus Cristo, que redimiu o mundo no mistério da sua morte e ressurreição; o Espírito Santo, que guia a Igreja através dos séculos enquanto aguarda o regresso glorioso do Senhor” (Bento XVI, “A Porta da Fé”, 1).

Em sua história, a Igreja sempre ofereceu testemunhas qualificadas da fé, cujas vidas edificam as gerações e lhes possibilitaram atualizar a mesma profissão de fé. Há poucos dias tive a alegria de abençoar duas bonitas estátuas de São Pedro e São Paulo, na Paróquia a eles dedicada no bairro do Guamá, em nossa Arquidiocese de Belém, bem colocadas à frente da Igreja Matriz. Pedro, ostentando a chave, símbolo do ministério a ele confiado pelo Senhor: “Eu te darei as chaves do Reino dos Céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus” (Mt 16,19). Chaves entregues para abrir portas e não para fechá-las, como tem testemunhado o Papa Francisco! Como “a palavra de Deus é viva, eficaz e mais penetrante que qualquer espada de dois gumes, penetra até dividir alma e espírito, articulações e medulas, julga os pensamentos e as intenções do coração” (Hb 4,12), o Apóstolo das gentes, expressão da missão da Igreja, que deve levar o Evangelho a todos os recantos da terra, traz uma espada nas mãos. Pedro e Paulo, “por diferentes meios, os dois congregaram a única família de Cristo e, unidos pela coroa do martírio, recebem hoje, por toda a terra, igual veneração” (Prefácio da Missa de São Pedro e São Paulo).

A partir do testemunho dos Apóstolos, no correr dos séculos, uma imensa multidão, de toda raça, povo e nação, tem oferecido o testemunho da fé professada. A medida alta da vida cristã há de ser a prontidão para derramar o sangue pelo Senhor, no qual depositamos a nossa confiança! É a forma radical de serviço a Deus. Se também em nossos dias o martírio pela fé continua atual e todos precisam estar dispostos a ele, nem sempre nos será pedido. Ao lado da radicalidade do martírio, há outros modos de testemunhar a fé a serem abraçados por todos nós! Buscamos “uma adesão mais profunda à Palavra de Deus, quer pela renovação da profissão de fé em muitas comunidades, quer pela confirmação da própria fé, com o testemunho de uma vida autenticamente cristã” (Paulo VI, Credo do Povo de Deus, 2). A certeza interior da fé, com convicções arraigadas que a consideram o maior tesouro da vida, é o ponto de partida.

Professar a fé em nossas famílias, tomando consciência de que os pais começam a evangelizar os filhos a partir da concepção dos mesmos. Como os pais são os primeiros catequistas das crianças, a confissão da fé passa pelo afeto com que são cuidados, pelo ambiente familiar correspondente à fé católica, para depois encaminhá-los à Igreja e aos Sacramentos. Os valores cristãos da sinceridade e da verdade, a honestidade e a retidão pessoal, cultivadas em casa, atraem muitas outras pessoas. Também sobre esta fé simples e profunda se edifica a Igreja!
Professar a fé publicamente, com a coragem de não esconder as certezas que dela recebemos. Não é possível aos cristãos compactuarem com a cultura da morte, representada pela mentalidade abortista e anti-vida. Os valores da dignidade da pessoa humana, da família e da verdade são irrenunciáveis. Radical seja o combate contra a corrupção, a mentira e o relaxamento da consciência. Firme a solidariedade com os mais pobres e sofredores, corajosa a voz levantada em defesa dos mais fracos. Manifestar de forma varonil as convicções, das ruas aos parlamentos, passando pelas relações comerciais e profissionais, o trato com o dinheiro público e a fidelidade aos compromissos assumidos! Trata-se de um leque aberto, cujas expressões serão suscitadas pelo Espírito Santo! Na história dos santos, homens e mulheres foram reconhecidos como “confessores” da fé. Aqui está a vertente a ser seguida pela maior parte dos cristãos que querem ser fiéis!

Professar a fé publicamente significa cerrar fileiras com o Sucessor de Pedro e os Bispos em comunhão com ele. Quer dizer comprometer-se em ser Igreja de portas abertas, sem medo da ternura e da bondade, superando a tentação de permanecer voltados para si mesmos. Abrir-se ao desafio missionário, abraçar a causa da evangelização em primeira pessoa! Sim, fé professada é fé testemunhada segundo o dom recebido de Deus. São Paulo abriu um largo horizonte dos serviços na Igreja, para que ninguém fique de fora: “Há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo. Há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo. Há diferentes atividades, mas é o mesmo Deus que realiza tudo em todos. A cada um é dada a manifestação do Espírito, em vista do bem de todos. A um é dada pelo Espírito uma palavra de sabedoria; a outro, uma palavra de conhecimento segundo o mesmo Espírito. A outro é dada a fé, pelo mesmo Espírito. A outro são dados dons de cura, pelo mesmo Espírito. A outro, o poder de fazer milagres. A outro, a profecia. A outro, o discernimento dos espíritos. A outro, diversidade de línguas. A outro, o dom de as interpretar. Todas essas coisas as realiza um e o mesmo Espírito, que distribui a cada um conforme quer. Um só corpo, muitos membros. Como o corpo é um, embora tenha muitos membros, e como todos os membros do corpo, embora sejam muitos, formam um só corpo, assim também acontece com Cristo (1 Cor 12, 4-12). Homens e mulheres de fé, a mesma certeza interior, manifestações diversas do único Espírito Santo que leva a servir e amar!
Celebrando as duas colunas da Igreja, podemos pedir confiantes: “Ó Deus, que nos concedeis a alegria de festejar São Pedro e São Paulo, concedei à vossa Igreja seguir em tudo os ensinamentos destes apóstolos que nos deram as primícias da fé”.

Curso para bispos abordará teoria e prática da comunicação e evangelização na era digital, em Recife (PE)

Curso-CNBB - COMUNICACAO

A Comissão Episcopal Pastoral para a Comunicação da CNBB promove de 4 a 8 de novembro, em Recife (PE), o Curso de Comunicação para Bispos. O evento é uma iniciativa do Pontifício Conselho para as Comunicações Sociais em parceria com a Conferência do Brasil. As inscrições foram abertas na semana passada e já está confirmada a presença de 30 bispos. A Comissão espera para o Curso cerca de 80 participantes. O convite é aberto a todo o episcopado brasileiro que deseja refletir as práticas e os desafios da evangelização no contexto da cultura gerada pelas novas tecnologias. O curso tem presença confirmada de dom Claudio Maria Celli, presidente do Pontifício Conselho para as Comunicações Sociais.

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O caos

Dom Fernando Arêas Rifan
Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney

As recentes manifestações – à parte os lamentáveis excessos, desordens e infiltrações dos que querem o pior, – mostram o lado positivo de os jovens, saindo de uma lamentável inércia, se entusiasmar por uma causa comum, fora deles mesmos, pelo bem da sociedade. Somos-lhes solidários nas justas causas e protestos. Mas é claro que devem sempre discernir sobre os limites da sua inconformidade e saber contra quem e o quê estão se manifestando.

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São Pedro e o Papa Francisco

Dom Canísio Klaus
Bispo de Santa Cruz do Sul

No próximo final de semana, junto com a festa dos apóstolos Pedro e Paulo, a Igreja comemora o Dia do Papa. É o dia para recordar os feitos dos dois maiores pilares da Igreja primitiva que foram São Pedro e São Paulo. “Pedro, o primeiro a proclamar a fé fundou a Igreja primitiva sobre a herança de Israel. Paulo, mestre e doutor das nações, anunciou-lhes o Evangelho da Salvação. Por diferentes meios, os dois congregaram a única família de Cristo e, unidos pela coroa do martírio, recebem hoje, por toda a terra, igual veneração” (Prefácio da Missa).

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Voz da cidadania

Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Arcebispo de Belo Horizonte

As manifestações populares pelas ruas do Brasil resgataram definitivamente, e de modo espetacular, a voz da cidadania. Numa sociedade democrática, a expressão cidadã é aquela que nunca pode perder o comando. Momento histórico, este resgate está se desdobrando num processo de reavaliação da dinâmica representativa da vontade do povo para a dinâmica participativa. São exemplos incontestáveis: a queda da PEC 37 e a aprovação do projeto que transforma a corrupção em crime hediondo. A voz da cidadania apontou o rumo e a representação do povo operou na direção indicada.

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Urgência da reforma política

Dom Demétrio Valentini
Bispo de Jales (SP)

Do clamor das ruas, emerge com nitidez uma providência, que precisa ser assumida de imediato. Trata-se de efetivar a tão esperada reforma política, que reaproxime Estado e Sociedade, e que possibilite mecanismos de participação popular, para que as demandas do povo possam ter o seu encaminhamento normatizado, de modo claro e prático.

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Presidente da CNBB celebra com Papa Francisco e entrega Nota sobre manifestações

domdamasceno.2013 06

Cardeal dom Raymundo Damasceno Assis, arcebispo de Aparecida (SP) e presidente da CNBB esteve com o Papa Francisco na tarde desta quinta-feira, 27 de junho. Na manhã desta sexta-feira, 28 de junho, ele celebrou com o Papa e, em seguida, concedeu entrevista sobre esses encontros nos estúdios da Rádio Vaticano.

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Tu és Pedro!

Dom Orani João Tempesta
Arcebispo do Rio de Janeiro

No próximo final de semana iremos celebrar a Solenidade de São Pedro e de São Paulo, colunas da Igreja. É o Dia do Papa, quando todo o mundo católico, reverentemente, pede ao Senhor da Messe e Pastor do Rebanho as luzes necessárias para que o sucessor do Apóstolo Pedro, o Papa Francisco, continue firme apascentando as suas ovelhas e confirmando-as na fé em comunhão com o Colégio Universal dos Bispos.

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Os crimes contra a Igreja Católica

Dom Redovino Rizzardo, cs
Bispo de Dourados

Dentre os primeiros santos canonizados pelo Papa Francisco no dia 12 de maio de 2013, estavam 800 italianos, assassinados por ódio à fé no dia 13 de agosto de 1480, na cidade de Otranto, por otomanos turcos, que invadiram a região e os obrigaram a escolher entre morrer ou abraçar a religião muçulmana.

Matar em nome de Deus” é o absurdo a que podem chegar as religiões. Alicerçadas na “certeza” de possuírem a verdade, julgam-se no direito e no dever de eliminar a quem ousa divergir. Antigamente, talvez fosse possível que o fizessem de reta intenção, se o próprio Jesus chegou a dizer: «Chegará o dia em que, quem vos matar, julgará estar prestando culto a Deus. Mas, quem assim age, o faz porque não conhece o Pai nem a mim» (Jo 16,2-3).  “Antigamente”, porque continuar a fazê-lo hoje é um atestado de ignorância que se dá à humanidade. Infelizmente, é o que acontece em vários países, dominados por religiões arcaicas ou por ideologias radicais.

Durante vários séculos, a própria Igreja Católica pagou tributo a esse pecado. A Inquisição, as Cruzadas, a Noite de São Bartolomeu (1572), a Guerra dos 30 Anos (1618/1648) e inúmeros outros fatos alertam para as nefastas consequências trazidas pelo conchavo entre a religião e o poder político e econômico. Contudo, ao mesmo tempo, é preciso precaver-se contra as meias verdades propaladas por pessoas cujo intento é denegrir a Igreja. Foi o que reconheceram, em relação à Inquisição, os próprios autores da “Enciclopédia” (1751/1772), a obra filosófica que preparou a Revolução Francesa: «Sem dúvida, imputaram-se a um tribunal, tão justamente detestado, excessos de horrores que nem sempre ele cometeu. Não é correto erguer-se contra a Inquisição por fatos duvidosos e, pior ainda, buscar na mentira meios para torná-la odiosa».

Escrevi acima que antigamente, talvez, tudo isso fosse perdoável, porque os tempos eram outros. Graças a Deus, a partir sobretudo do Concílio Vaticano II (1962/1965), a Igreja Católica mudou sua relação com o mundo. Mas parece que o seu lugar e o seu jeito de agir foram ocupados por seus críticos. É o que provam as perseguições que ela vem sofrendo nestes últimos cem anos.

Na Rússia, em 1914, os católicos eram 5.000.000, assistidos por 27 bispos e 2194 sacerdotes. Em 1917, logo após a tomada do poder pelos comunistas, eles diminuíram para 2.500.000, os bispos para 14 e os padres para 1350. Em 1941, das 600 igrejas que funcionavam em 1917, apenas duas continuavam abertas. Havia somente um bispo (porque estrangeiro) e 20 padres. Em apenas dois anos (de 1937 a 1939), foram fuzilados 150 sacerdotes.

O México, apesar de contar com uma população predominantemente católica, foi palco de uma violenta ação antirreligiosa desencadeada pelo governo hostil à Igreja. Os conflitos iniciaram com a promulgação da Constituição de 1917 e alcançaram seu ápice na “Guerra Cristera” (1926/1929). As hostilidades custaram a vida de quase 90.000 pessoas, de ambos os lados. Uma multidão de católicos – dentre eles, mais de 50 padres – foram assassinados por seu apego à fé.

Em sua obra “Para entender a Inquisição”, Felipe Aquino cita a Espanha como outro país em que a Igreja pagou caro por sua fidelidade ao Evangelho: «Na Guerra Civil Espanhola (1936/1939), as grandes vítimas foram os católicos. O ódio à Igreja e aos fiéis cresceu tanto, que morreram assassinados 12 bispos, 4000 sacerdotes e 2300 religiosos, além de milhares de leigos. Só na cidade de Madri foram mortos 334 padres diocesanos; muitos foram queimados ou enterrados vivos».

Há 1700 anos – em fevereiro de 313 –, através do “Edito de Milão”, o imperador Constantino concedeu aos cristãos a liberdade de culto. Contudo, a perseguição sempre os acompanhou. Em dois mil anos de história, milhões deles foram – e continuam sendo – marginalizados e massacrados. 75% das vítimas atuais do ódio antirreligioso no mundo são católicos, evangélicos e ortodoxos. O “É proibido ser cristão” dos romanos vigora ainda hoje não apenas em alguns países comunistas e muçulmanos, mas, sobretudo, em ambientes sociais que passam por evoluídos, onde a fidelidade ao Evangelho se paga com a perda da reputação, do emprego e, não poucas vezes, da vida. Não foi por nada que Jesus advertiu: «O Reino dos céus sofre violência, e só os corajosos o conquistam!» (Mt 11,12).