Cuba e Estados Unidos

Dom Luiz Demétrio Valentini
Bispo de Jales (SP)

Deste o tempo de Paulo VI, o dia Primeiro de Janeiro é dedicado à paz. Instituído como Dia Mundial da Paz, ele se tornou em momento propício para uma “Mensagem de Paz”, sempre assinada pelo Papa, na tentativa de identificar as situações de conflito que ainda permanecem, descobrir suas causas, e propor sua superação.

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Votos de Natal

                                                                                                       Dom Walmor Oliveira de Azevedo
                                                                                                      Arcebispo de Belo Horizonte (MG)

Questionamentos, com tons de aridez e desânimo, podem brotar no coração humano em meio às festas natalinas. De novo, é tempo do Natal eonde está a novidade? Ao avaliar os últimos anos, ou mesmo a década que passou,o que mudou para melhor? Talvez, as análisessejam marcadas pelo pessimismo, concluídas com uma afirmação melancólica:de novo, é tempo do Natal. Os votos natalinos, que ocupam a pauta da mídia, os cumprimentos entre pessoas e os cartões enviados, podem parecer mera repetição.  Isto porque, dias depois, tudo parece voltar a uma rotina que tem o seu peso próprio.Os votos de Natal podem se tornar apenas “palavras pronunciadas ao vento”, sem nenhuma força de transformação e mudança. Em vez disso, cada pessoa deve aproveitar o tempo do Natal como oportunidade para capacitar-se para o novo.

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Família fundamental

Dom José Alberto Moura
Arcebispo de Montes Claros (MG)

O casamento, fosse somente uma instituição própria da natureza humana, poderia ser realizado conforme a pura ordem natural, para o desenvolvimento da afeição, afetividade, sexualidade e outros motivos ou interesses que levassem as pessoas de outro ou do mesmo sexo  unirem-se para seus objetivos mais ou menos  convenientes.

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Uma família diferente!

Dom Alberto Taveira Corrêa
Arcebispo de Belém do Pará (PA)

A inesgotável cena de Natal oferece mais uma vez a riqueza do Presépio, feito de pobreza e simplicidade, à nossa geração. A criatividade com que estas cenas são expostas é sinal de sua profundidade, que tem o tamanho da eternidade. Por mais que contemplemos Jesus Maria e José, ou tentemos nos infiltrar na cena, junto com pastores, magos ou animais, sempre nos ultrapassará e mostrará sua riqueza, cuja origem está no Céu. Hoje queremos interrogar à Sagrada Família o que tem de diferente para oferecer à nossa geração, pois há certamente algo de muito original em seu modo de viver.

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Divulgada mensagem do papa Francisco para o Dia Mundial do Doente 2015

O Vaticano divulgou hoje, 30 de dezembro, a mensagem do papa Francisco para o 23º Dia Mundial do Doente. Instituído pelo papa João Paulo II em 1992, o Dia Mundial do Doente é celebrado em 11 de fevereiro, festividade da Virgem de Lourdes. Leia, na íntegra, o texto:

MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO
 PARA O XXIII DIA MUNDIAL DO DOENTE 

(11 DE FEVEREIRO DE 2015)

«Sapientia cordis. “Eu era os olhos do cego e servia de pés para o coxo” (Jó 29, 15)»

 

Queridos irmãos e irmãs,

 

Por ocasião do XXIII Dia Mundial do Doente, instituído por São João Paulo II, dirijo-me a todos vós que carregais o peso da doença, encontrando-vos de várias maneiras unidos à carne de Cristo sofredor, bem como a vós, profissionais e voluntários no campo da saúde.

O tema deste ano convida-nos a meditar uma frase do livro de Jó: «Eu era os olhos do cego e servia de pés para o coxo» (29, 15). Gostaria de o fazer na perspectiva da «sapientia cordis», da sabedoria do coração.

1. Esta sabedoria não é um conhecimento teórico, abstrato, fruto de raciocínios; antes, como a descreve São Tiago na sua Carta, é «pura (…), pacífica, indulgente, dócil, cheia de misericórdia e de bons frutos, imparcial, sem hipocrisia» (3, 17). Trata-se, por conseguinte, de uma disposição infundida pelo Espírito Santo na mente e no coração de quem sabe abrir-se ao sofrimento dos irmãos e neles reconhece a imagem de Deus. Por isso, façamos nossa esta invocação do Salmo: «Ensina-nos a contar assim os nossos dias, / para podermos chegar à sabedoria do coração» (Sal 90/89, 12). Nesta sapientia cordis, que é dom de Deus, podemos resumir os frutos do Dia Mundial do Doente. 

2. Sabedoria do coração é servir o irmão. No discurso de Jó que contém as palavras «eu era os olhos do cego e servia de pés para o coxo», evidencia-se a dimensão de serviço aos necessitados por parte deste homem justo, que goza de uma certa autoridade e ocupa um lugar de destaque entre os anciãos da cidade. A sua estatura moral manifesta-se no serviço ao pobre que pede ajuda, bem como no cuidado do órfão e da viúva (cf. 29, 12-13).

Também hoje quantos cristãos dão testemunho – não com as palavras mas com a sua vida radicada numa fé genuína – de ser «os olhos do cego» e «os pés para o coxo»! Pessoas que permanecem junto dos doentes que precisam de assistência contínua, de ajuda para se lavar, vestir e alimentar. Este serviço, especialmente quando se prolonga no tempo, pode tornar-se cansativo e pesado; é relativamente fácil servir alguns dias, mas torna-se difícil cuidar de uma pessoa durante meses ou até anos, inclusive quando ela já não é capaz de agradecer. E, no entanto, que grande caminho de santificação é este! Em tais momentos, pode-se contar de modo particular com a proximidade do Senhor, sendo também de especial apoio à missão da Igreja.

3. Sabedoria do coração é estar com o irmão. O tempo gasto junto do doente é um tempo santo. É louvor a Deus, que nos configura à imagem do seu Filho, que «não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida para resgatar a multidão» (Mt 20, 28). Foi o próprio Jesus que o disse: «Eu estou no meio de vós como aquele que serve» (Lc 22, 27).

Com fé viva, peçamos ao Espírito Santo que nos conceda a graça de compreender o valor do acompanhamento, muitas vezes silencioso, que nos leva a dedicar tempo a estas irmãs e a estes irmãos que, graças à nossa proximidade e ao nosso afeto, se sentem mais amados e confortados. E, ao invés, que grande mentira se esconde por trás de certas expressões que insistem muito sobre a «qualidade da vida» para fazer crer que as vidas gravemente afectadas pela doença não mereceriam ser vividas!

4. Sabedoria do coração é sair de si ao encontro do irmão. Às vezes, o nosso mundo esquece o valor especial que tem o tempo gasto à cabeceira do doente, porque, obcecados pela rapidez, pelo frenesi do fazer e do produzir, esquece-se a dimensão da gratuidade, do prestar cuidados, do encarregar-se do outro. No fundo, por detrás desta atitude, há muitas vezes uma fé morna, que esqueceu a palavra do Senhor que diz: «a Mim mesmo o fizestes» (Mt 25, 40).

Por isso, gostaria de recordar uma vez mais a «absoluta prioridade da “saída de si próprio para o irmão”, como um dos dois mandamentos principais que fundamentam toda a norma moral e como o sinal mais claro para discernir sobre o caminho de crescimento espiritual em resposta à doação absolutamente gratuita de Deus» (Exort. ap. Evangelii gaudium, 179). É da própria natureza missionária da Igreja que brotam «a caridade efectiva para com o próximo, a compaixão que compreende, assiste e promove» (Ibid., 179).

5. Sabedoria do coração é ser solidário com o irmão, sem o julgar. A caridade precisa de tempo. Tempo para cuidar dos doentes e tempo para os visitar. Tempo para estar junto deles, como fizeram os amigos de Jó: «Ficaram sentados no chão, ao lado dele, sete dias e sete noites, sem lhe dizer palavra, pois viram que a sua dor era demasiado grande» (Job 2, 13). Mas, dentro de si mesmos, os amigos de Jó escondiam um juízo negativo acerca dele: pensavam que a sua infelicidade fosse o castigo de Deus por alguma culpa dele. Pelo contrário, a verdadeira caridade é partilha que não julga, que não tem a pretensão de converter o outro; está livre daquela falsa humildade que, fundamentalmente, busca aprovação e se compraz com o bem realizado.

A experiência de Jó só encontra a sua resposta autêntica na Cruz de Jesus, ato supremo de solidariedade de Deus para conosco, totalmente gratuito, totalmente misericordioso. E esta resposta de amor ao drama do sofrimento humano, especialmente do sofrimento inocente, permanece para sempre gravada no corpo de Cristo ressuscitado, naquelas suas chagas gloriosas que são escândalo para a fé, mas também verificação da fé (cf. Homilia na canonização de João XXIII e João Paulo II, 27 de Abril de 2014).

Mesmo quando a doença, a solidão e a incapacidade levam a melhor sobre a nossa vida de doação, a experiência do sofrimento pode tornar-se lugar privilegiado da transmissão da graça e fonte para adquirir e fortalecer a sapientia cordis. Por isso se compreende como Jó, no fim da sua experiência, pôde afirmar dirigindo-se a Deus: «Os meus ouvidos tinham ouvido falar de Ti, mas agora vêem-Te os meus próprios olhos» (42, 5). Também as pessoas imersas no mistério do sofrimento e da dor, se acolhido na fé, podem tornar-se testemunhas vivas duma fé que permite abraçar o próprio sofrimento, ainda que o homem não seja capaz, pela própria inteligência, de o compreender até ao fundo.

6. Confio este Dia Mundial do Doente à protecção materna de Maria, que acolheu no ventre e gerou a Sabedoria encarnada, Jesus Cristo, nosso Senhor.

Ó Maria, Sede da Sabedoria, intercedei como nossa Mãe por todos os doentes e quantos cuidam deles. Fazei que possamos, no serviço ao próximo sofredor e através da própria experiência do sofrimento, acolher e fazer crescer em nós a verdadeira sabedoria do coração.

Acompanho esta súplica por todos vós com a minha Bênção Apostólica.

Vaticano, 3 de Dezembro – Memória de São Francisco Xavier – do ano 2014.

 

Franciscus

Tempo de Paz

Cardeal Orani João Tempesta
Arcebispo do Rio de Janeiro (RJ)

O canto dos anjos na noite de Natal ainda ecoa em nossos ouvidos: “paz na terra aos homens por Ele amados”! Estamos no ano da Paz, proclamado pela nossa Conferência Episcopal. Isso nos questiona – e muito – sobre muitas atitudes a que somos chamados a tomar neste tempo de tantas violências e divisões. Pode parecer que estamos desanimados por ver tantas situações degradantes, em todos os aspectos, e o mundo com tantas injustiças e maldades.

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Uma família para Jesus

Dom Canísio Klaus
Bispo de Santa Cruz do Sul (RS) 

As comemorações do Natal e do fim de ano estão profundamente relacionadas com a família. Elas são um convite, quase que natural, a que as pessoas busquem a família para alguma refeição em conjunto. Quem por uma ou outra razão fica privado deste encontro familiar, sente a solidão e tende a não gostar das festividades natalinas. É o que se comprova nas conversas com pessoas que perderam algum familiar recentemente ou também com as pessoas idosas que vivem em asilos ou casas geriátricas e não podem usufruir o convívio com a família nos dias de Natal.

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Um Natal Feliz e Alegre!

Dom Fernando Arêas Rifan

Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney (RJ)

Em companhia de Maria e José e incentivados por São Paulo: “Alegrai-vos sempre no Senhor” (Fl 4,4), vamos celebrar nesta quinta-feira o Santo Natal, feliz e alegre, como foi o primeiro Natal. Nasceu Jesus, o Messias! Deus se fez homem! E os anjos anunciaram aos pastores essa felicidade. A reaparição da estrela misteriosa fez renascer a alegria e a felicidade no coração dos Magos que vieram do Oriente (Mt 2, 10).

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A bênção: uma ação divina

Dom Murilo S.R. Krieger
Arcebispo de São Salvador da Bahia (BA) e Primaz do Brasil

“Abençoe-vos o Deus todo poderoso…”; “Sua bênção, mãe, sua bênção, pai!”; “Deus te abençoe, meu filho!” Essas são algumas das muitas expressões ouvidas diariamente, que testemunham o valor da bênção em nossa vida. Mas, o que significa ser abençoado por Deus?

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Mensagem de dom Leonardo Steiner: 2014 – Ano da Graça do Senhor

O bispo auxiliar de Brasília e secretário geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Leonardo Steiner, em mensagem intitulada 2014: Ano da Graça do Senhor, agradece a Deus pelas bênçãos concedidas, o incentivo do papa Francisco e o apoio dos bispos, assessores e colaboradores da entidade. Leia, na íntegra, o texto: 

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