Regional Sul 1 da CNBB emite nota de pesar pelo falecimento de dom Benedito Simão

O regional Sul 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou nota de pesar pelo falecimento do bispo de Assis (SP), dom José Benedito Simão, aos 64 anos. No texto, assinado pelo arcebispo de Campinas (SP) e presidente do regional, dom Airton José dos Santos, dom Simão é lembrado como um “pastor dedicado e batalhador na luta em defesa da vida dos nascituros e crianças e contra a cultura da morte”. Leia, abaixo, a íntegra da nota: 

Nota do Conselho Episcopal Regional Sul 1 

pelo falecimento do Bispo Diocesano de Assis, Dom José Benedito Simão

 

A presidência do Regional Sul 1 da CNBB, com pesar, recebeu a noticia do falecimento do Exmo. Sr. Bispo Diocesano de Assis (SP), Dom José Benedito Simão, de 64 anos, ocorrido hoje, 27 de novembro.

Seu lema episcopal “Pax et Spes” (Paz e Esperança) era transparente em suas atividades e em seu zelo pastoral. No Regional Sul 1, Dom Simão sempre acompanhou a Comissão em Defesa da Vida e era Presidente da Sub-Região Pastoral Botucatu. Pastor dedicado, e batalhador na luta em defesa da vida dos nascituros e crianças e contra a cultura da morte. Dom Simão sempre acompanhou os fiéis leigos no seu empenho em defesa da vida.

Ao Clero, religiosos, fiéis leigos, todo povo da Diocese de Assis e aos seus familiares, expressamos nossos sentimentos de solidariedade e proximidade espiritual. 

O Senhor Ressuscitado os confortem nessa hora de separação e saudade.

Oremos pelo eterno descanso de Dom José Benedito Simão.

Dai-lhe Senhor o Repouso eterno! 

E brilhe para ele a Vossa Luz!

 

Dom Airton José dos Santos

Arcebispo Metropolitano de Campinas 

Presidente do Conser-Sul 1

 

O que é um jubileu?

Dom Leomar Brustolin

Bispo auxiliar de Porto Alegre (RS)

O Papa Francisco anunciou o Ano da Mise¬ricórdia por meio da Bula de Proclamação Misericordiae Vultus (O Rosto da Misericórdia). O Jubileu inicia em 8 de dezembro de 2015 e se conclui no dia 20 de novembro de 2016, com a Sole¬nidade de Jesus Cristo Rei do Universo.  

A celebração do Jubileu se origina no judaísmo. Consistia em uma comemoração de um ano sabático que tinha um significado especial. A festa se realizava a cada 50 anos. Durante o ano, os escravos eram libertados, restituíam-se as propriedades às pes¬soas que as haviam perdido, perdoavam-se as dívidas, as terras deviam permanecer sem cultivar e se descansava. Era um ano de reconciliação geral. Na Bíblia, encontramos algumas passagens dessa celebração judaica (cf. Lv 25,8). 

A palavra Jubileu se inspira no termo hebreu de yobel, que se refere ao chifre do cordeiro que servia como instrumento musi¬cal. Jubileu também tem uma raiz latina, iubilum que se refere a um grito de alegria. Na tradição católica, o Jubileu se realiza em um ano no qual se concedem indulgências aos fiéis que cum¬prem certas disposições estabelecidas pelo Papa. O Jubileu pode ser ordinário ou extraordinário. A celebração do Ano Santo Ordi¬nário acontece em um intervalo a cada 25 anos, com o objetivo de que cada geração experimente pelo menos um Jubileu em sua vida. Já o Ano Santo Extraordinário se proclama como celebração de um fato destacado. O Jubileu proclamado pelo Papa Francisco é um Ano Santo Extraordinário. É um convite para que, de maneira mais intensa, fixemos o olhar na Misericórdia do Pai. 

O início do Jubileu da Misericórdia será marcado pela abertura da Porta Santa na Basílica de São Pedro, em Roma. Essa porta só se abre durante um Ano Santo e significa que se abre um caminho ex¬traordinário para a salvação. Na cerimônia de abertura, o Papa toca a porta três vezes com um martelo, enquanto diz: “Abram-me as portas da justiça; entrando por elas, confessarei ao Senhor”.  Depois de aberta, entoa-se um canto de Ação de Graças e o Papa entra na Basílica. 

O ano da misericórdia é muito mais do que um tempo marcado pelo cumprimento de algumas práticas. Na realidade, trata-se de um grande convite a dirigirmos nosso olhar para a face da misericórdia do Pai: Jesus de Nazaré.

É no Cristo que se manifesta o agir misericordioso do Pai que consola, perdoa e devolve a esperança. É preciso tomar esse modo de ser de Jesus como regra de vida, pois esse é o critério para identificar-nos como filhos do Pai misericordioso.  Tornamo-nos misericordiosos à medida que fazemos a experiência da misericórdia. “Dia após dia, tocados por sua compaixão, podemos também tornar-nos compassivos para com todos” (MV 14).

 

Preparação para o encontro

 Dom José Gislon

Bispo Diocesano de Erexim (RS)

 

 

Estamos iniciando o Tempo do Advento, e as quatro semanas que antecedem o Natal são de preparação, com uma intensa vida de oração e meditação, para vivermos, na fé, o encontro com o Senhor Jesus, o Filho de Deus que assume a natureza humana numa forma humilde e singela. Só com esta preparação, poderemos celebrar bem o nascimento de Cristo no santo Natal. 

Mesmo diante de uma sociedade ávida por consumo e muitas vezes indiferente à mensagem de paz, de amor, de solidariedade e de esperança do Natal, ele continua tocando o coração de muitas crianças e adultos, porque diante da alegria e do encanto de uma criança com os símbolos do Natal, nós adultos somos levados a refletir sobre as pequenas e belas coisas da vida que fomos perdendo no caminho percorrido. O significado do Natal pode ter ficado na memória de um passado distante, ou quem sabe, fomos abandonando sua mensagem, deixando-a agonizar à margem da nossa vida na medida em que os nossos passos e o tempo nos levaram para a realidade dos adultos. Perdemos o encanto de contemplar o brilho das estrelas, de contar pequenas estórias e falar das coisas do coração que fazem tão bem à nossa vida, à nossa alma, que nos enchem de esperança e ainda nos fazem sonhar, sem deixar de amar quem está ao nosso lado, porque alguém veio de muito longe para nos amar e nos falar de amor. Não um amor pequeno, mas um amor que tem a imensidão do universo e o sentido da eternidade, e está ao alcance do meu e do teu coração.

Por isso, creio ser importante recordar que o Advento significa “vinda” e a Igreja convida seus filhos e filhas a prepararem os corações para celebrar a vinda histórica de Cristo, lembrando a encarnação e a natividade. Mas para quem quer percorrer um caminho de crescimento espiritual, o Advento simboliza também o encontro pessoal com o Cristo Jesus na nossa vida. Podemos começar a nos preocupar com os presentes, esquecendo que este é o tempo em que nos preparamos interiormente para acolher o presente mais importante para a humanidade, Jesus, o Filho de Deus. Um presente não se pode pretender. Um presente se pode somente esperar.

Tende todos um bom domingo.

 

 

Enquanto esperamos a vossa vinda

Dom Alberto Taveira Corrêa

Arcebispo de Belém (PA)á

 

Nascer, crescer, aproveitar a vida, sugar dela todos os prazeres e satisfações possíveis, aguentar os sofrimentos e enfermidades, ficar velho, esperar a morte chegar! Muito pouco e inadequado para as pessoas que foram feitas com a matriz da eternidade nela plantadas por Deus, que as pensou e criou para serem felizes nesta terra e na vida eterna a elas prometida. Nós fazemos parte, com todos os homens e mulheres que aqui vivem ou que aqui pisaram e virão. O tempo da vida humana nesta terra é uma magnífica oportunidade oferecida por Deus, com profusão de graças a serem aproveitadas. A graça de viver, conviver, partilhar os dons recebidos, olhar para frente e para o alto, melhorar sempre, fazer o bem e plantar a verdade e a justiça! Esta é vida humana, digna de quem a criou e de quem a recebeu de presente!

Neste tempo, ressoa a Palavra: “O Espírito e a Esposa dizem: Vem! Aquele que ouve também diga: Vem! Quem tem sede, venha, e quem quiser, receba de graça a água vivificante. Aquele que dá testemunho destas coisas diz: Sim, eu venho em breve. Amém! Vem, Senhor Jesus!” (Cf. Ap 22, 17-20).

A Igreja, em sua sabedoria milenar, recolhe os ensinamentos da Escritura e os oferece, em crescente acompanhamento da vida da humanidade. Se formos fiéis a Deus e às propostas da Igreja, o Senhor nos encontra, como numa espiral que aponta para o alto, melhores do que no ano anterior. A Liturgia, com o novo ano que se inicia no primeiro domingo do Advento, irrompe de novo a rotina, preenche de sentido os eventuais balanços de vida e atividade que caracterizam estas semanas finais de 2015, oferece sentido e conteúdo para tantas pessoas que não querem vazias as confraternizações que se realizam no período, e dá as orientações para a riqueza da oração e da vivência cristã no tempo forte, que agora se inicia.

O Ano da Igreja começa e termina com o anúncio das últimas e definitivas realidades, para as quais caminha a humanidade. O Advento abre o horizonte para as vindas do Senhor, no final dos tempos, no tempo presente e no tempo, quando nasceu em Belém de Judá, como Senhor e Salvador, para aqui morrer, ressuscitar e subir de novo aos Céus, deixando-nos o penhor do cumprimento de suas promessas, o Espírito Santo sobre nós derramado. O Senhor é o Deus da promessa! Já Abraão, depois dele outros patriarcas e profetas (Cf. Jr 33, 14-16), foram pessoas que caminharam em busca do invisível, teimosos na fé e na esperança. Não tiveram medo de conjugar no futuro o verbo de suas vidas, sabedores da qualidade daquele que lhes havia assegurado a realização de seu plano de amor e salvação.

Temos o privilégio de compartilhar as esperanças e sua realização, pois, em Jesus Cristo, nosso Salvador, Deus cumpriu a sua Palavra, dando-nos tudo o que é necessário. Impressiona a força com que São João da Cruz (Tratado “A subida do Monte Carmelo”, de São João da Cruz, Livro 2, capítulo 22) nos alerta: “É este o sentido do texto em que a carta aos Hebreus busca persuadir seus destinatários a se afastarem daqueles primitivos modos de tratar com Deus, previstos na lei de Moisés, e a fixarem os olhos unicamente em Cristo, dizendo: Muitas vezes e de muitos modos falou Deus outrora aos nossos pais, pelos profetas; nestes dias, que são os últimos, ele nos falou por meio de seu Filho (Hb 1,1-2). Por estas palavras o Apóstolo dá a entender que Deus emudeceu, por assim dizer, e nada mais tem a falar, pois o que antes dizia em parte aos profetas, agora nos revelou no todo, dando-nos o Tudo, que é o seu Filho. Se agora, portanto, alguém quisesse interrogar a Deus, ou pedir-lhe alguma visão ou revelação, faria injúria a Deus não pondo os olhos totalmente em Cristo, sem querer outra coisa ou novidade alguma. Deus poderia responder-lhe deste modo: Este é o meu Filho amado, no qual eu pus todo o meu agrado. Escutai-o! (Mt 17,5). Já te disse todas as coisas em minha Palavra. Põe os olhos unicamente nele, pois nele tudo disse e revelei, e encontrarás ainda mais do que pedes e desejas. Desde o dia em que, no Tabor, desci com meu Espírito sobre ele, dizendo: Este é o meu Filho amado, no qual eu pus todo o meu agrado. Escutai-o!, aboli todas as antigas maneiras de ensinamento e resposta. Se falava antes, era para prometer o Cristo; se me interrogavam, eram perguntas relacionadas com o pedido e a esperança da vinda do Cristo, no qual haviam de encontrar todo o bem – como agora o demonstra toda a doutrina dos evangelhos e dos apóstolos.”

Agora estamos no tempo da esperança ativa (Cf. Lc 21, 25-36), no fecundo intervalo que vai da Ascensão do Senhor e Pentecostes até a vinda do Senhor, no fim dos tempos. Durante este tempo, há muito a fazer. São Paulo (Cf. 1 Ts 3,12−4,2) oferece indicações preciosas. O Senhor nos faça crescer abundantemente no amor de uns para com os outros e para com todos, à semelhança do amor que o próprio apóstolo teve com suas comunidades. Depois, aos tessalonicenses e a nós deseja que Deus confirme nossos corações numa santidade irrepreensível. É a condição para estarmos prontos, diante de Deus, nosso Pai, por ocasião da vinda do nosso Senhor Jesus, com todos os seus santos. Depois, o Apóstolo pede e exorta, no Senhor Jesus, que progridamos sempre mais no modo de proceder para agradar a Deus. 

Ele está convicto de que os fiéis sabem quais são as normas que dadas da parte do Senhor Jesus. Aqui está o desafio! Nós sabemos como viver no tempo que nos é dado. A proposta é aproveitá-lo bem, sem desperdiçar qualquer oportunidade para fazer o melhor de nós mesmos para edificar um mundo diferente, modelado pela esperança, e não pelas amarras do passado do pecado e da maldade. O Evangelho é nossa regra de vida, a ser descoberta cotidianamente, sem desperdiçar os encontros com as pessoas e os acontecimentos, todos prenhes de graças oferecidas por Deus. 

Neste novo tempo, a Igreja põe em nossos lábios e nossos corações a oração: “Ó Deus todo-poderoso, concedei a vossos fiéis o ardente desejo de possuir o reino celeste, para que, acorrendo com as nossas boas obras ao encontro de Cristo que vem, sejamos reunidos à sua direita na comunidade dos justos. Amém!”

 

Misericórdia e compaixão

Dom Walmor Oliveira de Azevedo

 

Arcebispo de Belo Horizonte (MG)

A Igreja Católica prepara um percurso de grande importância: a celebração do Ano Santo Extraordinário da Misericórdia, convocado pelo Papa Francisco. Trata-se de um momento especial, celebrado no âmbito das comunidades de fé, que deve ecoar em todo o mundo, para vencer as muitas violências – física e moral, a corrupção e também a permissividade que contracena com a rigidez de grupos, alimentando fundamentalismos religiosos, políticos e culturais. A vivência desse tempo é oportunidade para tratar feridas que atingem a sociedade como um todo, inclusive a própria Igreja. O remédio para essas enfermidades é a prática da misericórdia.

A audaciosa convocação do Ano Santo da Misericórdia comprova a intuição singular do Papa Francisco no exercício de sua missão. É pelo caminho da misericórdia que a humanidade alcançará as mudanças e respostas que a contemporaneidade espera, com urgência.  É remédio incidente. Pode ocorrer de se pensar, equivocadamente, que agir de modo misericordioso se trata de fraqueza e conivência. Mas, assinala o Papa Francisco, reportando-se a palavras de Santo Tomás de Aquino, que a misericórdia não é sinal de fraqueza, é qualidade da onipotência divina. 

O início do Ano Santo da Misericórdia será marcado pela abertura da Porta Santa em Roma, pelo Papa, no dia 8 de dezembro. Nas dioceses do mundo inteiro, no domingo seguinte, dia 13. Essa Porta será aberta para que qualquer pessoa possa entrar e experimentar o amor de Deus que perdoa, consola e dá esperança. Isso significa que a vivência da misericórdia permite regeneração e nova compreensão da vida, um olhar compassivo sobre a humanidade, na direção de cada pessoa. Torna efetiva a possibilidade de se alcançar novos sentimentos e um jeito de viver capazes de desenhar cenários na contramão da violência, da corrupção, da luta insana pelo poder e pelo lucro. 

A experiência da misericórdia alimenta a esperança. Permite a compreensão lúcida da fraternidade e da solidariedade como pilares indispensáveis da sociedade. Bases que devem substituir a lógica perversa da economia que gera ganância, raiz de um “desenvolvimento” que recai como peso sobre os ombros de todos, particularmente dos pobres e indefesos.  Para encontrar um rumo novo, todos são convocados a compreender que Deus é misericordioso, fonte da misericórdia. E Jesus Cristo é o rosto dessa misericórdia do Pai porque n’Ele, Jesus, a misericórdia se tornou viva, visível e chegou ao seu ápice.  Esse é o mistério da fé cristã.

Ser cristão é, portanto, contemplar o mistério da misericórdia, revelado por Jesus Cristo, fonte da alegria, da serenidade e da paz. Uma interpelação incidente, pois permite reconhecer que a misericórdia é o ato último e supremo pelo qual Deus vem ao encontro de todos. Pertinente é a indicação do Papa Francisco, quando sublinha que “a misericórdia é a lei fundamental que mora no coração de cada pessoa, quando vê com olhos sinceros o irmão que encontra no caminho da vida. Misericórdia é o caminho que une Deus e o homem, porque nos abre o coração à esperança de sermos amados para sempre, apesar da limitação de nosso pecado”.  

Coluna mestra de sustentação da Igreja, a experiência da misericórdia é indispensável para conseguir respostas novas e transformadoras, diante dos desafios da atualidade.  Sem o remédio da misericórdia, crescerão os fundamentalismos, não se controlará a intolerância, haverá sempre mais polarização de grupos políticos e religiosos, um contínuo desgaste da cultura da vida e da paz.  Investir na misericórdia começa pela competência indispensável de perdoar, como Jesus indicou a Pedro, ao responder a sua pergunta a respeito de quantas vezes deve-se perdoar. O perdão é núcleo central do Evangelho e da autenticidade da fé cristã. Por isso, Jesus mostra que a misericórdia não é apenas o agir de Deus Pai, mas é o verdadeiro critério para reconhecer quem são os verdadeiros filhos de Deus. 

O Ano da Misericórdia, experiência de fé na Igreja, com incidência na vida das famílias e comunidades, marcado por testemunhos, significativos gestos de reconciliação e perdão, é necessário para se alcançar nova etapa no cuidado das fraquezas e dificuldades dos irmãos.  Um convite para que se busque a sabedoria da misericórdia.  Em lugar de violência e disputas, que surja um tempo novo, pela força da misericórdia e da compaixão.